Todos nasceram velhos — desconfio. Em casas mais velhas que a velhice, em ruas que existiram sempre — sempre assim como estão hoje e não deixarão nunca de estar: soturnas e paradas e indeléveis mesmo no desmoronar do Juízo Final.
Os mais velhos têm 100, 200 anos e lá se perde a conta. Os mais novos dos novos, não menos de 50 — enorm'idade. Nenhum olha para mim.
A velhice o proíbe. Quem autorizou existirem meninos neste largo municipal? Quem infrigiu a lei da eternidade que não permite recomeçar a vida? Ignoram-me. Não sou. Tenho vontade de ser também um velho desde sempre.
Assim conversarão comigo sobre coisas seladas em cofre de subentendidos a conversa infindável de monossílabos, resmungos, tosse conclusiva.
Nem me vêem passar. Não me dão confiança. Confiança! Confiança! Dádiva impensável nos semblantes fechados, nos felpudos redingotes, nos chapéus autoritários, nas barbas de milénios.
Sigo, seco e só, atravessando a floresta de velhos.
Morena quando te vejo, palanqueada na janela, fico floreando a barbela, mordendo a perna do freio, e desenquieto pateio, enredado num olhar, sou pingo do teu andar, pra carregar teus anseios.
E quando um sorriso esboças, carregado de promessas, é o proprio céu as avessas com tormentas e lampejos, e um temporal de desejos vem respingar no meu tozo, levando um rosto mimoso junto aos meus sonhos andejos.
Noite alta quando cruzo neste rancho onde te abrigas, da alma vertem cantigas rastreando rimas de prata, o coração bate pata, corretiando ao Deus dará, e a janela ali está como a pedir serenata.
Guitarreio o meu silêncio em muda e louca seresta, na janela em cada fresta, mil ouvidos a escutar por certo estás a sonhar, a alma leve solta ao vento, eu queria estar ai dentro, para te ouvir ressonar, amanhã um outro dia, andarei longe da querencia reculutando uma ausência que ficou de sentinela, quero ver os olhos dela quando retornar do povo, e lá está moça e novo na moldura da janela.
Noite alta quando cruzo neste rancho onde te abrigas, da alma vertem cantigas rastreando rimas de prata, o coração bate pata, corretiando ao Deus dará, e a janela ali está como a pedir serenata.
A criança em si é um espetáculo da vida É renovação de espírito, É o anseio de nossa alma É a esperança contida.
Vejo no olhar de cada criança Um misto de ternura e verdade É um desejo que nasce no peito De um mundo melhor, mais felicidade.
Cuidemos de nossas crianças Dando amor carinho compreensão Para que cresçam dignamente Sejam o futuro dessa nação.
Parabéns a você com todo carinho Seja feliz de bom coração Viva com amor, dignidade Assim viverás em um mundo melhor De eternos momentos de felicidade.
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
Saber Viver
Autor desconhecido
Temos que saber viver, saber aproveitar o que a vida nos oferece... Viver com aquilo que temos, sem sofrer por algo que queremos...
O impossível desejar, sempre será um constante penar... Muitas vezes desprezamos coisas que conquistamos, apenas por querer algo que cobiçamos,
mas que é um sonho distante... E isso nos faz sofrer bastante...
Temos que saber viver... Se não tivermos tudo o que amamos, amemos aquilo que temos...
Principalmente, temos que muito nos amar... Nossa felicidade cultivar... Amar a vida em sua plenitude, sempre será nossa maior virtude...
Trabalhador, trabalhador brasileiro Que anda o país inteiro Querendo trabalhar
Trabalhador, trabalhador brasileiro Que rala de janeiro a janeiro E não pode se aposentar
Trabalhador, trabalhador nortista Que sequer tem em vista Como trabalhar
Trabalhador, trabalhador nordestino Condenado pelo destino A sempre trabalhar
Trabalhador, trabalhador do Entorno Que vive com o transtorno De correr pra trabalhar
Trabalhador, trabalhador operário Sem um tostão de salário Sem ter como comprar
Trabalhador, trabalhador estagiário Como um profissional diário Deve trabalhar
Trabalhador, trabalhador professor Nesse dia do Labor Não tem o que comemorar
Trabalhador, trabalhador policial Corre risco sem igual Morre ou tem que matar
Trabalhador, trabalhador brasileiro Nesse dia primeiro Durma cedo pra cedo levantar.
terça-feira, 15 de setembro de 2009
O Sapo
Da Costa e Silva
Feio e fátuo a fingir de grande, gordo e guapo; Hediondo e humilde a inchar de empáfia e ocioso orgulho, Viscoso de vaidade, entronado no entulho, Cisma na solidão, sorno e soturno, o sapo.
Os bugalhos em brasa, a palpitar o papo, Acocorado, absorto, ao mínimo barulho Que o sossego lhe suste, em súbito mergulho Se atasca no atascal; e ei-lo escondido e escapo.
Patriarca do paul, pelo pântano parco De água, a arfar e a imergir no lodo liso e imundo, O batráquio bubuia, o corpo curvo em arco...
E sobe à superfície o rei das rãs, rotundo, Glabro e inchado, a coaxar no lamaçal do charco, Como o ser mais soberbo e singular do mundo.
Caminhando na noite o poeta se orienta Na penumbra do luar a linguagem se alimenta Não teme o escuro não tem medo de nada Atravessa impune batalhas insanas de solidão rancor e de saudade O objetivo é alcançar logo a cabana Onde fica o lar doce do poema Chega feliz e agradece a cena Aninhado em seu particular nirvana e escreve... escreve... e escreve...
A abelha que, voando, freme sobre
A colorida flor, e pousa, quase
Sem diferença dela
À vista que não olha,
Não mudou desde Cecrops.
Só quem vive
Uma vida com ser que se conhece
Envelhece, distinto
Da espécie de que vive.
Ela é a mesma que outra que não ela.
Só nós - ó tempo, ó alma, ó vida, ó morte! -
Mortalmente compramos
Ter mais vida que a vida.
****
O Buriti Antônio Miranda
Árvore da vida. Solene,
solitária, solidária.
Nas entranhas da terra e
em cúpula celeste:
ramificações estranhas,
demarcando várzeas
celebrando oásis
matinais.
Óleo e copa,
alimento e proteção de vida.
Das entranhas da terra
ao firmamento,
uma simetria de volumes
invertidos: no espaço aberto
e no solo contido,
ampulheta de vida.
Buritizais descendo geografias
aquáticas
no roteiro dos pássaros
e tropeiros.
Escamas
córneas lustrosas
avermelhadas.
Não se sabe se é a palmeira
que passa ou o tropeiro
que fica.
Testemunhas silentes
mas não indiferentes
pois o buriti é dadivoso
umbrátil
altaneiro.
Enquanto houver buritizais
enquanto houver mananciais
enquanto houver chuvas
lodaçais
enquanto
e portanto
o milagre da existência,
entretanto
vida e pranto.
***
O lagarto José Carlos Brandão
O lagarto abana a cauda
as duas patas no ar
sobre a sombra
estende a língua
vermelha
lambendo o sol
e o verde da paisagem
o olhar oblíquo
colhe a borboleta
nas margaridas amarelas.
***
Casa Abandonada
Roberto de Mesquita
A velha casa onde eu morei outrora E que de há muito está desabitada, Silenciosa envolveu-me, ao ver-me agora, Num triste olhar de amante abandonada. Com que amargor no íntimo lhe chora Uma alma sensitiva e ignorada Que não tem voz para queixar-se, embora Se veja só, de todos olvidada ! Casa deserta e fria que envelheces Ao desamparo, sem uma afeição, Bem sinto que me vês, que me conheces E relembras os dias que lá vão ... Eu esqueci-te, amiga, e tu pareces Toda magoada dessa ingratidão ...
Já iniciei no mundo dos blogs já algum tempo, mas este que acabo de criar é mais voltado para a divulgação de meus trabalho fotográficos. Confesso que não sou nenhum Sebastião Salgado, mas a cada dia busca aprimorar este meu talento com a arte da fotografia.
Só a título de ilustração, recentemente eu concluí o Curso Básico de Fotografia Digital, lecionado pelo experiente Luciano Rosa. Foi uma etapa importante da minha vida, mas ainda há muito pela frente. Apesar de só agora eu ter feito um curso profissionalizante na área, eu amo fotografia há muito tempo, e não só isso, mas também Cinema, que está muito relacionado com a área. Para mim, a boa fotografia é aquela em que eu ainda não consegui fazer, aquele olhar que eu ainda não tive, aquela perspectiva que ainda não alcansei. O que já foi feito, foi apenas mais um ensaio para o alcanse desse olhar em especial. Algumas de meus trabalhos que serão publicados aqui também estão disponíveis no site Olhares e também em um álbum especial que tenho no Orkut. Você pode lá dá uma olhada e conferir algumas de minhas tentativas para alcansar esse tal "olhar". Vá lá e confira: