Caminhando na noite o poeta se orienta Na penumbra do luar a linguagem se alimenta Não teme o escuro não tem medo de nada Atravessa impune batalhas insanas de solidão rancor e de saudade O objetivo é alcançar logo a cabana Onde fica o lar doce do poema Chega feliz e agradece a cena Aninhado em seu particular nirvana e escreve... escreve... e escreve...
A abelha que, voando, freme sobre
A colorida flor, e pousa, quase
Sem diferença dela
À vista que não olha,
Não mudou desde Cecrops.
Só quem vive
Uma vida com ser que se conhece
Envelhece, distinto
Da espécie de que vive.
Ela é a mesma que outra que não ela.
Só nós - ó tempo, ó alma, ó vida, ó morte! -
Mortalmente compramos
Ter mais vida que a vida.
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O Buriti Antônio Miranda
Árvore da vida. Solene,
solitária, solidária.
Nas entranhas da terra e
em cúpula celeste:
ramificações estranhas,
demarcando várzeas
celebrando oásis
matinais.
Óleo e copa,
alimento e proteção de vida.
Das entranhas da terra
ao firmamento,
uma simetria de volumes
invertidos: no espaço aberto
e no solo contido,
ampulheta de vida.
Buritizais descendo geografias
aquáticas
no roteiro dos pássaros
e tropeiros.
Escamas
córneas lustrosas
avermelhadas.
Não se sabe se é a palmeira
que passa ou o tropeiro
que fica.
Testemunhas silentes
mas não indiferentes
pois o buriti é dadivoso
umbrátil
altaneiro.
Enquanto houver buritizais
enquanto houver mananciais
enquanto houver chuvas
lodaçais
enquanto
e portanto
o milagre da existência,
entretanto
vida e pranto.
***
O lagarto José Carlos Brandão
O lagarto abana a cauda
as duas patas no ar
sobre a sombra
estende a língua
vermelha
lambendo o sol
e o verde da paisagem
o olhar oblíquo
colhe a borboleta
nas margaridas amarelas.
***
Casa Abandonada
Roberto de Mesquita
A velha casa onde eu morei outrora E que de há muito está desabitada, Silenciosa envolveu-me, ao ver-me agora, Num triste olhar de amante abandonada. Com que amargor no íntimo lhe chora Uma alma sensitiva e ignorada Que não tem voz para queixar-se, embora Se veja só, de todos olvidada ! Casa deserta e fria que envelheces Ao desamparo, sem uma afeição, Bem sinto que me vês, que me conheces E relembras os dias que lá vão ... Eu esqueci-te, amiga, e tu pareces Toda magoada dessa ingratidão ...
Já iniciei no mundo dos blogs já algum tempo, mas este que acabo de criar é mais voltado para a divulgação de meus trabalho fotográficos. Confesso que não sou nenhum Sebastião Salgado, mas a cada dia busca aprimorar este meu talento com a arte da fotografia.
Só a título de ilustração, recentemente eu concluí o Curso Básico de Fotografia Digital, lecionado pelo experiente Luciano Rosa. Foi uma etapa importante da minha vida, mas ainda há muito pela frente. Apesar de só agora eu ter feito um curso profissionalizante na área, eu amo fotografia há muito tempo, e não só isso, mas também Cinema, que está muito relacionado com a área. Para mim, a boa fotografia é aquela em que eu ainda não consegui fazer, aquele olhar que eu ainda não tive, aquela perspectiva que ainda não alcansei. O que já foi feito, foi apenas mais um ensaio para o alcanse desse olhar em especial. Algumas de meus trabalhos que serão publicados aqui também estão disponíveis no site Olhares e também em um álbum especial que tenho no Orkut. Você pode lá dá uma olhada e conferir algumas de minhas tentativas para alcansar esse tal "olhar". Vá lá e confira: